Informações dão conta que o meteorito que atingiu a
Russia tinha pelo menos 1/4 do tamanho de 2012 DA14. Isso é cerca de 15 metros
de comprimento. Já não se trata mais de um meteorito, mas provavelmente um
asteroide ou até mesmo um cometa.
Vigilância espacial: simulação mostra trajetória do meteoro
russo
Um dia depois do impacto de um meteoro sobre a cidade russa
de Chelyabinsk, algumas perguntas começam a ser respondidas de modo mais
consistente. Estima-se agora que a rocha flamejante tinha cerca de 15 metros de
diâmetro e durante a ruptura liberou energia equivalente a 300 mil toneladas de
TNT.
Modelos orbitais que simulam a entrada de objetos na
atmosfera indicam que os primeiros instantes de ruptura da rocha ocorreram
entre 40 e 50 km de altitude, sobre a cidade de Bratsk, na região central da
Rússia. Nesse instante o meteoroide tinha massa estimada em 7 mil toneladas e
se deslocava pelo espaço a 52 mil km/h.
Durante a ruptura o objeto se partiu em vários pedaços que
cruzaram mais de 3 mil quilômetros até explodir acima da cidade de Chelyabinsk,
no sul dos Montes Urais, já próximo à fronteira do Cazaquistão. A explosão
ocorreu entre 10 e 15 km de altitude e gerou a poderosa onde de choque
responsável pela quebra de vidraças e danos nas construções.
De acordo com o modelo computacional gerado pela empresa
AGI, que fornece os programas de simulação usados pela NASA, a ruptura inicial
ocorreu em algum ponto acima da Rússia. Dessa forma, seria impossível que algum
satélite captasse a passagem da bola de fogo sobre o território brasileiro oito
horas antes, conforme noticiado pela mídia não especializada.
Vigilância do Espaço
Após a queda do meteorito, muitas pessoas passaram a culpar
a NASA, a agência espacial americana, por não ter monitorado o espaço
adequadamente ou até mesmo ter escondido a informação sobre o impacto.
Teorias conspiratórias à parte, o que parece confundir a
maioria das pessoas está na própria incapacidade de detecção. Afinal, se os
astrônomos observam galáxias a bilhões de anos-luz de distância, porque não
conseguem ver os asteroides que estão tão próximos, em rota de colisão?
Apesar de serem dúvidas aparentemente desconexas, a chave
para a resposta de ambos os questionamentos está no tamanho e no brilho dos
objetos e são essas características que tornam os asteroides tão difíceis de
serem detectados.
Antes de tudo é preciso entender que os asteroides não são
astros com luz própria, mas refletores da luz solar. Como a maioria deles é
formada por rochas pequenas e escuras sua observação se torna extremamente
difícil, principalmente quando se encontram visualmente próximos ao Sol, quando
a intensa luz da estrela ofusca completamente as observações.
Além disso, por se moverem muito rápido pelo céu são
necessárias técnicas especiais para sua detecção, que comparam centenas de
imagens CCD registradas diariamente na tentativa de identificar um possível
ponto móvel em cenas sequenciais.
Quando um candidato a novo asteroide é detectado por algum
telescópio, uma mensagem é imediatamente enviada a outros observatórios
informando as coordenadas celestiais da localização do objeto. Em seguida, após
uma série de observações a órbita do asteroide é calculada e só então a
descoberta é publicada.
Mesmo com toda a tecnologia disponível, o pequeno tamanho e
o baixo brilho impedem uma detecção a longa distância das rochas pequenas.
Quando as imagens revelam um novo objeto, este normalmente já está bem perto da
Terra e pouco pode ser feito.

